Reciproco
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Eu esperava que você não se tornasse texto, mas se tornasse
ato, se tornasse ser, se tornasse é, presente.
Mas a reciprocidade não me alcança, e a decepção chega, e
mesmo sabendo que ninguém é obrigado a retribuir aquilo que sentimos, a dor da
rejeição não se dissipa.
Me pergunto, o problema sou eu? O problema é você? O problema
é que nem sempre a conexão acontece, os olhares se encontram, o beijo alcança a
alma, a pessoa vira razão. Razão de risos, de felicidade, de empatia, de
amizade. E só vira mais um simples e amargo café, daqueles que mesmo com gosto ruim,
você quer continuar provando.
Eu quero e preciso deixar, deixar você ir, deixar você ir de
mim e levar essa sensação de rejeição para longe, eu não quero mais sentir. Eu
queria voltar a sorrir por motivos alheios e não por você, voltar a chorar pela
morte do cachorro naquele filme triste, e não por você. Ter vontade de mudar o
visual para me sentir linda, não por você.
E escrevendo isso, até parece que não me amo ou me aceito,
que deixo a felicidade depender de alheios. Mas pelo contrário eu tenho uma autoestima
incrível, eu acordo me vejo no espelho e enxergo minha potência, vejo como sou
linda e incrível, e você vem, e me tira tudo isso, faz eu querer ouvir de você
coisas que já sei.
De tanto que te quero, menos me encontro, me percebo, me
importo, e isso é um pecado tão amargo, uma auto mutilação na alma. Mas será saudável
amar alguém, que tanto machuca por não te amar?
Mas será que existe mesmo amor não correspondido? Eu sempre
achei que bastava... amar.
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